
O ponteiro já passou da meia noite. Já começou a minha hora de escrever para ti, mais uma vez. Mais um mês passa hoje. Seis, no total. Meio ano. Meio ano sem ti. Cento e oitenta e quatro dias sem a tua presença. Sem uma chamada. Sem um abraço ou um sorriso. Sem a tua voz a ecoar nos meus ouvidos. Sem o teu olhar... Tudo tão vazio, reparaste? Tal como eu me sinto desde que partiste. Tal como está o meu interior. Vazio e sozinho. Abandonado e perdido por aí. Pergunto-me todos os dias se estás bem, apesar de não fazer sentido pensar nisto... com certeza que estás melhor que eu, melhor que todos, não é? Ainda não consegui ir visitar-te!Sinto-me frustrada, mas sei que vou arranjar maneira de te ver. E juro, juro que vou aí no dia de Natal. Vou! Não quero nem vou deixar que passes este dia sozinho, embora nós o façamos... vamos passar este dia sem ti. Sem a maior alegria da família. O primeiro Natal com o pequenino, o primeiro Natal sem ti. O primeiro de muitos Natais mais vazios e menos coloridos.
Dói-me tanto o coração, avô. Dói mesmo muito! E ele aperta todos os dias mais um bocadinho. Os de fora dizem que passa. Dizem que a minha tristeza mais tarde ou mais cedo passa, porque tudo passa, nada é eterno. Mas sempre que oiço essas palavras, dá-me vontade de os mandar à fava! Gostava que essas mesmas pessoas encarnassem o meu corpo para sentirem o que eu sinto e verem o vazio em que me encontro. Perceberem o quanto dói viver, todos os dias, da maneira que eu vivo. E depois vêm-me com a história de exemplos. Porque "se eles viveram coisas más e hoje estão de pé e felizes, então eu também vou conseguir", só que isso não é assim! Não é por essas frases que eu vou melhorar. Talvez o faça perto daqueles que conseguem travar as minhas lágrimas com um sorriso, ainda que meio morto. Talvez sejam aqueles que me abraçam sem proferirem uma palavra. Mas esses... oh, eu não tenho ninguém que o faça, porque estou sempre sozinha. E estou longe o suficiente para que não me possam confortar como eu, na minha opinião, mereço. E aí sinto-me ainda mais sozinha. Mais perdida. E acho que se tu ainda estivesses por cá, seria diferente, avô. Talvez eu recorresse a uma chamada tua para me sentir mais confortável, mais alegre. E hoje isso é-me totalmente impossível e eu não sei que fazer. Não sei como reagir, como me levantar deste chão gelado. Não sei porque me faltam muitas peças. Nomeadamente a peça que te constitui. A peça fundamental do meu puzzle. Por isso deixo-me ficar aqui. Algum dia hei-de ser salva. (Talvez.) Amo-te infinitamente, Avô, e imagina? Sinto uma saudade infinita de ti!
como percebo,minha querida. mas sorri.....acho que é a melhor coisa que lhe podes dar.
ReplyDeleteestou a tentar aos poucos...obrigada!
ReplyDeleteobrigada minha querida! o teu também esta, muito mesmo. deixaste-me a lagrima no olho. e assim, aproveito para te desejar forca. vais ultrapassar isto, por mais tempo que demore. leva o tempo que precisares. o importante é seres feliz de novo. xx
ReplyDeleteestá perfeito. a saudade fica sempre, não podes é deixar de acreditar em ti*
ReplyDeleteSei bem o quanto te dói, sei a tua dor, porque as nossas são as mesmas, na verdade e desejo-te muita força, apesar de tudo. Sei que é uma dor que não tem fim mas sorri para ele ficar feliz por ti. Amo-te <3
ReplyDeleteDói muito e, não acredito que a dor algum dia acabe por passar mas torna-se mais fácil lidar com ela, com o tempo. Percebo tão bem este texto, cada palavra, Força *
ReplyDeleteEstá maravilhoso!
Obrigada amor, e eu sei que custa mas também sei que consegues. Lyou
ReplyDeleteDe nada doce. O problema é que eu não sei o que ultrapassar, nem sei para quem escrevo, não sei nada. Obrigada <3
ReplyDeleteMuito obrigada <3
ReplyDeletemuito, muito obrigada minha querida :)
ReplyDeleteMUITA FORÇA, estou aqui.
Ele volta, mas pode ser tarde querida.
ReplyDeleteobrigada linda <3
ReplyDeleteSeis meses, e parece que foi ontem, princesa... as minhas palavras não servem para te confortar, eu sei, mas quero que tenhas consciência de que eu estou sempre aqui, sim? Amo-te <3
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