Andei às voltas para saber como começava este texto e ainda nada me ocorreu. Agora já está. Comecei a dizer que não sabia como começar. Estúpido? Talvez. Preciso de expulsar tudo o que tenho cá dentro, preciso de esgotar as lágrimas para que estas desapareçam do meu dia a dia. Preciso de deitar fora tudo o que me faz mal para só ter espaço para as coisas boas. Sim, porque até hoje tudo o que de bom me aconteceu parece ter sido esmagado pela tristeza, pela dor e por tantos outros sentimentos tristes e dolorosos que se apoderaram de mim. Se deixei de ser quem era? Em parte, talvez sim. Mas se procurarem bem no fundo do meu ser, está lá tudo o que fui, está lá a minha essência. Estou eu como sempre fui. Mas, se calhar, só mesmo lá no fundo. Na superfície está quem sou agora. Está este ser meio adormecido, meio vivo, meio contente. Estou eu confusa, triste, solitária por vezes, vazia outras vezes também, toda massacrada e torturada por outros seres... estou eu como nunca pensei ser, é verdade. E se peço desculpa por já não ser quem sou? Peço, mas não sei até que ponto isso altera alguma coisa. Não sei até que ponto isso pode melhorar ou modificar algo. Porque o que sou agora já está tão entranhado na minha pele que se torna difícil desfazer-me deste papel. Se luto para que isso aconteça? Todos os dias. Todos os dias são novos dias de guerra. Nem sempre ganho, nem sempre perco, mas fico sempre no mesmo estado de espírito: perdida e triste. Fico sempre na dúvida sobre qual o lado que devo seguir. Se continuo em frente, se volto para trás e refaço algumas coisas, ou se olho para os lados à espera de alguém que, se calhar, nunca vai chegar. E chego ao fim de uma quantidade de dias com as mesmas questões, sem as mesmas respostas. E continuo à deriva. Fico sentada no meu canto vendo a vida passar porque sempre que eu tento intervir, ela atira-me ao chão e ordena-me que sossegue o meu corpo. Como se eu não tivesse o direito de me fazer à pista e lutar pelo que quero. Mas a verdade é que sempre que tento fazê-lo, sempre que a minha carruagem parece estar a endireitar-se, há alguma peça solta que a faz descarrilar num instante. E é isso que eu mais temo. É estar a fazer o que posso com tudo o que tenho e não tenho para endireitar o rumo da minha vida, e sentir que nada do que faço é suficiente, ou que haverá sempre alguma coisa a atirar-me abaixo. Eu não gosto de ser como sou, mas não sou totalmente diferente do que era e quero que se perceba isso. Quero que se entenda que eu estou cá, como sempre estive. Continuo a precisar de pessoas, continuo a gostar das mesmas coisas, a minha casa é sempre a mesma e pertenço sempre aos mesmos lados. O que mudou foi apenas a minha paciência para tolerar algumas coisas, até porque tudo o que é demais enjoa e um dia todos nos cansamos de alguma coisa. Talvez também me tenha tornado mais fechada, ainda mais, ou simplesmente deixei de pensar só no que sentia e deixei de dizer tudo e contar tudo e lembrar-me até do mais pequeno pormenor, mas tudo isso foi repensado apenas para não fartar quem (ainda) tenho comigo. Porque estou sempre a ser retirada da vida de quem gosto, e os poucos que tenho, se é que uma mão chega para contar, quero mantê-los perto, não quero cansá-los com coisas que podem perfeitamente ser esquecidas. Se me perguntares o que mudou, eu digo-te: mudou tudo. Mudou a minha vida, mudou a minha personalidade, mudaram alguns objetivos, mas há uma coisa que nunca vai mudar por mais que tudo me caia em cima, por mais que tudo dê errado e por mais que um sorriso não se coloque nos meus lábios, e isso é única e exclusivamente, o meu amor por ti. O meu amor, apreço, dedicação, carinho e tudo mais. Porque tu és tu, porque tu és a metade de mim que está viva, a metade de mim que não desaparece e a metade de mim que me faz respirar todos os dias com esperança que se calhar, um dia, esta escuridão vai desaparecer e os meus ombros vão sentir-se, finalmente, leves.
Obrigada doce! Quando puder, hoje se for possível, permite-me que te leia com cuidado!
ReplyDeleteescreves lindamente. já sigo. muita força.
ReplyDeleteEstou aqui sempre que precisares e sempre que não precisares. Estou sempre, portanto. Por perto mas com a distância suficiente para que só me vejas quando de mim necessitas.
ReplyDeleteCustam-me certas coisas que sinto sobre ti, custam mesmo. Como se ela pudesse fazer mesmo tudo para te retirar o chão e tu deixasses. Isso ... Tu sabes o que penso sobre isso. Sobre o que acho de não te darem o valor que mereces. Sobre o facto de achar que deves lutar mais por ti.
Força.
neste momento, estou a sentir-me a tua irmã gémea de consciência! tudo o que eu queria conseguir dizer há meses, tu escreveste neste texto. omg, que arrepio!
ReplyDeletesaudades da tua doçura :')
ReplyDeleteÉ fantástica!
ReplyDeleteEscreves lindamente querida :)