os textos bonitos já foram. já eram. cada vez mais a frieza está imposta nas minhas palavras, e até mesmo nos meus sentimentos. o tom doce com que criava histórias e textos em momentos de gigantesca inspiração, hoje em dia já é raro. mas se for buscar ao fundo do poço, talvez consiga alguma coisa.
foi-me tudo arrancado a sangue frio. porque eu podia não ter muita coisa, mas era feliz. era tão feliz! sempre fui conhecida pela rapariga-dos-olhos-de-chinesa-e-sempre-com-um-sorriso-no-rosto. sempre adorei esse rótulo, talvez por ser verdade. e quando chegou a altura de me sentir a rapariga mais feliz do mundo por ter conhecido alguém com quem me identificava a cem por cento, alguém que me dava carinho, atenção, mimos, amizade verdadeira, preocupação e tantas outras coisas que não dá para explicar...eu sei, eu sei que fui feliz. fui feliz até me doerem as bochechas de tanto rir, até chorar de alegria e até de festejar os feitos dessa pessoa como se fossem meus. sentia-me imbatível. sentia que o mundo era meu. todinho nas minhas pequeninas mãos. ah, a vida era perfeita! e depois... depois o castelo no ar ruiu. pedaço a pedaço, foi caindo tudo aos meus pés como se estivesse em câmara lenta, para eu sentir cada batimento do coração mais forte, cada pedra a cair sobre os meus ombros, cada pedaço de céu a tornar-se negro. o que era perfeito passou a inferno, num simples piscar de olhos. e o doce virou amargo, bem amargo. o sorriso constante foi trocado por lágrimas a cada minuto, todos os santos dias. o mundo nas minhas mãos? ora, já estava estatelado no chão faz tempo! e, no fundo, não era responsabilidade minha. mas arquei com as consequências to-di-nhas. aguentei o fardo pesado de não conseguir adormecer à noite, de chorar a toda a hora, de deixar de comer como deve ser, de deixar de sorrir, cuidar de mim, amar, gostar, preocupar-me com o mundo lá fora. passei de arco íris a buraco negro. hoje... hoje tento, ainda, reconstruir o castelo. pegar nos sonhos e nas vontades e colocar tudo num frasquinho seguro para mais tarde colocar dentro da minha alma novamente. aos poucos vou sentindo a superfície a aproximar-se. mas isso também só foi possível graças a toda a força que juntei, não sei bem como, para me erguer do chão tantas vezes gelado. mas agora, neste momento, posso agradecer, também, à pessoa que me pôs no alto, me atirou ao chão, e que voltou para me colocar, talvez agora, num patamar consideravelmente bom, merecedor. e não, não estou feliz, porque enquanto uma perna se ergue, outra encolhe, porque não há bem sem mal nem mal sem bem. vai-se indo. vai-se vivendo. e sabendo que o amanhã é uma incógnita e, cada vez mais, um perigoso futuro.... temos esta noite! teremos sempre a noite. a melhor ajuda. a melhor companhia. a melhor terapia. ou a pior.depende do lado para o qual queremos pender.
Voltaste. Agora fica. Porque tinha umas saudades incríveis de tudo o que tu és. De tudo o que és quando escreves, quando te colocas assim, em letras.
ReplyDeleteAdorei, adorei, adorei, adorei, adorei, espero que agora fiques porque as saudades aumentam e os sentimentos também : )
ReplyDeletenão tens de agradecer querida, tinha mesmo saudades de ler os teus lindos textos : )
ReplyDeleteAcredito que sim ; )
Fico triste por saber que te sentes assim. Mas sei que irás ultrapassar o que quer que se passe e voltarás aos textos felizes. No entanto, adorei ler-te hoje. Está belíssimo, apesar de triste. Gostei muito :)
ReplyDeleteAcredito que sim! Volta à tua bonita escrita quando achares que é a altura certa.
ReplyDeleteMuito obrigada querida :)