Sempre que o teu nome aparece, ou sempre que é pronunciado; sempre que a tua imagem me vem à cabeça, ou apenas tudo o que já fui do teu lado é motivo de lembrança; sempre que suspiro de tristeza pelo rumo das coisas se ter modificado, o meu coração torna-se pequenino, perde a sua cor e parece que o sangue não circula de forma correcta. Afectas-me, sim. Desde início que sei disso. És como um distúrbio que parece, a meu ver, não ter cura. Eu quero que tenha, quero que sintas que me magoas e que me tornas num pedaço pequeno, numa simples amostra de gente. Embora já tenha delineado que mais ninguém me iria fazer sentir assim, tu fazes, mesmo sem eu querer.
O teu poder sobre mim não desaparece, só se mostra mais forte, com mais garra... Vejo-me suspensa lá no alto e a ir de encontro ao chão. Sinto-te sem piedade do que poderei sentir nesse momento.
Onde está aquela pessoa que eras antes? Já não digo com os outros porque sei que essa mudança é única, é pessoal e é só comigo. Dá-me os motivos, desvenda-os. Tem-nos tão bem guardados, que penso que daí não vem boa coisa. Afinal que revolução é que passou por ti para hoje estares assim? Frio, distante, apagado e enrolado num lençol de desilusões...

Olha para mim, olha para os meus olhos mergulhados numa mágoa imensa, o seu brilho não é mais de felicidade mas sim de dor, de sofrimento e de angústia por desconhecer as tuas razões. Hoje já não sei que mais dizer. Assegurei a mim mesma que não voltaria a dar mais cartas por ti, que deixaria de insistir numa coisa que não queres partilhar... Mas depois olho para mim, olho para o meu interior e sinto que tenho a obrigação de te exigir explicações! E, de facto, tenho. Porque só nós sabemos que isto não pode terminar assim. Não podes soltar assim o laço que nos unia. Porque ele era forte, foi ele que durante uns tempos me fez caminhar segura de mim mesma. E hoje desentrelaças qualquer ligação que existira, em tempos, entre nós. Porquê?! - Continuo a perguntar...
Já não sei que te pedir mais. Vou soltar-me. Se é o que queres, fá-lo-ei. Mas se o fizer, será para sempre, e a partir desse momento esquece tudo. Esquece tudo o que ficou para trás e tudo o que poderíamos ainda ter feito juntos. Odeio pensar que isto está mesmo a seguir este rumo. Mas foste tu que o escolheste. E eu, só tenho de o seguir.