
As nuvens voam à velocidade da luz enquanto o frio se instala nos corpos que à janela se encontram. Uns a devorar o último cigarro do dia, outros à conversa e poucos - como eu - a vislumbrar a lua que já vai lá no alto. O silêncio por aqui paira, e uns pequenos arrepios acompanham-no. A minha cabeça estala um pouco mais a cada segundo que o ponteiro conta e o meu corpo mantém-se imóvel, escrevendo apenas estas linhas. Passaram alguns dias desde a última vez que aqui estive parada a olhar para a estrela da noite. Com isso, ficou também a ausência de escrever. Com sentimento. Invadiu-me agora a doce voz do meu pai, questionando-me acerca do que se passa. Ele conhece-me, sente-me. Ainda assim consegui mentir-lhe. Sorri, dei-lhe um leve beijo e ele foi, enganado pelas minhas palavras. E agora mesmo uma enorme nuvem escondeu a lua e escureceu-me a mim também. Afinal é isso que tenho sido ultimamente, não é? Uma pequena mancha negra que tinge o corpo todo e parece sufocar-me lentamente. Está a fazer-se uma noite gelada, o fraco descanso chama por mim.
até amanhã, lua. até amanhã, mundo.






