e eu conto-te uma coisa: eu sonhei contigo, sonhei que tinha dito tudo o que tenho cá dentro para expulsar e que não tinhas dito nenhuma palavra, isso porque sabias que eu tinha razão. e olha, tu sabes que eu tenho. sabes que por muito que eu tenha exagerado em algumas atitudes, tu não és assim! porque é que te revelaste de uma forma tão rude? e sabes, o que me magoa mais é saber tão bem que tu, no fundo, no fundo, serias capaz de voltar atrás, mas oh, eu já perdi essa esperança, porque cada vez que te enfrento na escola, já só me apetece esconder debaixo de chão porque temo qualquer palavra dentro de ti. porque pensara conhecer-te, mas agora não és mais do que um desconhecido para mim. porque olha, tu também sabes bem que tentavas, tanto quanto eu, que a nossa amizade fosse superior a tudo. e houve um tempo em que me prometeste que nada ia mudar, que não deixavas que isso acontecesse. mas deixaste, e já to disse tantas vezes que deixaste porque querias, que, se quisesses mesmo, a nossa amizade tinha sobrevivido a esta catástrofe e quem sabe se hoje não estávamos a falar como melhores amigos que éramos? e já me alonguei, viste? o antes era tão bom, e o agora é tão mau, tão sem nada. e eu não consigo viver no meio de tanta gente e sentir-me ninguém, e mais, sentir que não tenho ninguém porque, no fundo, és só tu que faltas, és a peça que falta para eu recomeçar a minha vida a sorrir, como tu sempre quiseste que visse a vida. olha, eu tenho tantas saudades de te ver nadar, de fazer parte da tua vida. e eu sei que se tu leres isto, vais outra vez avisar-me de que não devia e que não queres que escreva mais sobre ti, mas volto a repetir que já não mandas nada, porque a tua opinião passou a ser zero, mesmo que dentro do meu coração, valha ouro. tu valias isso e muito mais para mim, e eu já estou a chorar só de me lembrar do aperto do teu abraço quando mais precisava. mas isto quando ainda não tinhas mudado. porque depois de isso acontecer, tu começaste a achar tudo o que vinha da minha parte um exagero, e olha, magoa-me tanto que assim penses. espero que mais tarde te sentes a lembrar que a nossa amizade era bonita, e nunca me vou esquecer de me sentir bem quando me contaste que a tua mãe ficou derretida com a nossa amizade, e eu confesso-te, eu fiquei derretida com ela. e com a nossa amizade. e agora eu não vou dizer que vou ultrapassar isto e que não vou deixar que esta dor me afete, porque não é assim tão fácil. eu vou deixar a dor magoar-me, não para me fazer sofrer de propósito, mas porque sei que tenho de deixar a dor passar por mim; só assim, mais tarde, serei feliz.