Avô ♥

remember

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July 11, 2012

You're always on my mind

Senti agora mesmo uma necessidade de te escrever juntamente com umas lágrimas bem salgadas a escorrer-me pelo rosto. Tentei procurar uma imagem bem ilustrativa de nós dois mas a verdade é que me foi impossível. E enquanto eu não puder colocar aqui uma mesmo nossa, vou continuando a procurar, na expetativa de me sentir mais próxima de ti. Tolices. Não sei porquê, mas estou a sentir muito a tua ausência, há um nó a criar-se na minha garganta e um aperto no coração. Sempre que estou a chegar à tua casa, o primeiro lugar que os meus olhos avistam é a tua nova casa. Primeiro tendo a ver-te a ti e, só depois, lanço o meu olhar para a avó. Ela que está devastada com tudo isto. E mesmo que te vá visitar todos os dias, aquele vazio que ela sente não consegue preencher-se, nem mesmo com a nossa companhia. E eu entendo-a... Não há ninguém capaz de preencher o lugar que ocupas em mim, no meu coração e na minha vida. E eu sei que esta dor é só o início, mas sempre que me lembro de ti - tal acontece diariamente -, não consigo impedir o travo amargo que o meu coração ganha por saber que a pessoa mais doce que por lá habitava já não mais cá está, pelo menos da mesma forma. E o pior, avô, o pior é que já dou por mim, algumas vezes, a imaginar como estará o teu corpo. Se ainda está intacto ou se já começaram a intersetar-te. E, nesses momentos, as lágrimas escorrem a uma velocidade tremenda, deixando o meu ser caído por aí. Tenho pavor só de pensar que o teu corpo vai deixar de ser o mesmo. E que não posso mais abraçar-te. Não posso mais olhar nos teus olhos e ver-te sorrir para mim. Não posso mais ouvir-te dizer aos manos, em jeito de brincadeira, que eu sou a mais bonita naquele quadro em que estamos todos tão pequenos e eu com aquele ar tão angelical... Não posso mais ouvir-te gritar o meu nome na outra ponta da casa, nem acompanhar-te nos petiscos antes do almoço. Sabes o que me vai custar? Não receber a tua chamada no dia do meu aniversário. No dia dos meus dezanove verões. Não vais lá estar. Não vais ligar-me... Oh, confesso, não consigo apagar o teu número! Sinto como se estivesse a apagar uma parte de ti. E eu não quero. Quero que a tua presença na minha mente contrarie a tua presença física nesse lugar. Quero que permaneças imaculado aos meus olhos. Amo-te muito. Mas mesmo muito!

May 31, 2012

Só morre quem nunca viveu no coração de alguém

Meu avô,

Aqui estamos hoje, a celebrar o teu aniversário, mas, ao mesmo tempo, a tua partida definitiva.
Todos nós contrariámos aquilo que tanto pediste: chorámos, sofremos. E embora estivéssemos à espera que isto acontecesse cedo, sentimos que tudo isto conseguiu ser inesperado. A vida é mesmo assim, irónica, não é?
Tal como prometi, esta carta ia ser escrita apenas com coisas boas. E apesar de a situação estar a contrariar o que esperava escrever neste dia, preferi escrevê-la à mesma e vou deixá-la contigo nesse lugar.
Para te ser sincera, neste momento, parece que varreram tudo da minha memória e poucas são as coisas de que me recordo. Talvez o termo "arrasada" seja o mais adequado para caraterizar o meu estado de espírito, mas se queres que te seja sincera, é impossível não o estar.
A sala, ontem, esteve cheia desde cedo... Apenas pessoas boas, pessoas que merecias ter na tua vida e elas sortudas por teres existido nas suas vidas! Continuarás a existir, para sempre!
Não imaginas a dor que corre nas nossas veias e nos nossos corações. Não consegues sequer imaginar o vazio que se sente por te ver deitado nesse sítio e saber que não abres mais os olhos, nem que vemos o teu corpo reagir e o coração a bater.
Tu és um mundo! Mais que um Mundo, pareces ser o Sol e a Lua juntos, onde o teu brilho é incansável, onde hoje, todas as estrelas da noite deixarão de brilhar para te dar lugar a ti. Bem que o mereces.
Obrigada por teres sido o maravilhoso pai, avô, marido, irmão e filho que toda a vida foste. Ninguém te tira o lugar que conquistaste no coração de cada um de nós. Nem a bondade que sempre possuíste e, quem sabe, herdei de ti. E digo-te, aliás, asseguro-te, meu lindo avô, esta dor toda deve-se mesmo a teres sido sempre uma pessoa de bem, que punha o bem estar dos outros em primeiro lugar, e que raramente admitia que estava mal ou a sofrer.
És cheio de força, e sabes que mais? Vou guardar tudo isso dentro de mim, e quando a vida se complicar, não vou fazer-lhe a vontade de desistir e vou lutar sempre contigo em mente.
Descansa em paz, meu amor.
A tua nova jornada começa hoje e quero que, mais tarde, nos possamos encontrar para tu me contares que aventuras realizaste.
Amo-te sempre, meu fadista predileto.
Parabéns!
Da tua eterna neta,
Nicole.

April 22, 2012

a angústia entranha-se em mim. não se estranha primeiro, entra logo, sem licença, sem questionar. e eu esforço-me por a deixar do outro lado da porta, mas ela enfrenta-me de tal modo que eu desisto. ou perco as forças. a dor não escorre pelo meu peito, apenas se prende à minha garganta, deixando por lá um grande nó que não me permite falar. a minha voz calou-se e, de mim, só recebem um olhar, vazio. nem murmurar sou capaz. perco-me no silêncio, na escuridão e nas melodias que não são feitas por mim. perco-me entre milhares de pensamentos, sem que consiga pedir para me socorrerem. porque, na verdade, não sei de onde quero sair.

February 15, 2012

adeus definitivo

não sei como se redige um texto de despedida, porque na verdade eu tento escrevê-los e nunca sigo viagem. mas desta vez é mesmo para cumprir com a promessa de esquecer, de abandonar as memórias num deserto longínquo e de me esquecer do caminho para lá. é hora de mudar de ares, encontrar outro deserto que plante novas memórias, com novas pessoas e que me trace novos caminhos. é só mais uma mudança radical na minha vida. algo que nunca foi fácil para mim, confesso. e esta situação não será exceção. eu tenho medo de seguir em frente. medo de, quando tiver as memórias esquecidas e a dor a escassear, que as pessoas voltem e me atormentem a mente e o coração. só que eu preciso de me despedir de ti, não é? é a hora do adeus, a hora tão dolorosa. um adeus que eu pensava ser temporário mas que se tornou definitivo. ou um "até nunca" que já me ditaste algumas vezes. o que é que levas na tua mala? guardaste alguma memória nossa, assim num recanto da bagagem para só a encontrares quando a tua vida estiver do avesso, ou deitaste mesmo tudo fora antes de partires?. sabes uma coisa? não consigo deitar nada fora, tu sabes que guardo as coisas que já me fizeram feliz, nem que seja para recordar daqui a alguns anos, também quando tiver vontade de remexer na mala que vou fechar quando estas palavras terminarem. as tuas coisas estão guardadas, escondidas. o teu nome, a flor que me deste, as datas que nos pertenceram e as saídas que tivemos. os risos que partilhámos e os abraços apertados. as noites que falávamos até um adormecer. as idas contigo à natação e os gelados à chuva. as corridas, as cócegas, as conversas secretas, as partilhas, a confiança e a entreajuda. o suporte de que servimos um para o outro... tudo isto e muito mais, guardo agora, pode ser? mas eu vou esconder, prometo. vou apagar o teu número da minha cabeça - aquele que eu sabia de cor - e vou esquecer-me do caminho para a tua casa. não vou apagar também todos os textos que te dediquei, bons ou maus, com alegria ou angústia. tudo fez parte de mim neste ano que passou, e eu não vou deitar fora. obrigada por tudo de bom que me deste, mas também pelas coisas más. hoje sei que cresci com tudo o que passei por ti e contigo. tudo acaba, e a nossa hora chegou, não é? até um dia, porque até nunca é "uma expressão muito forte". sê muito feliz.

falam por mim

February 14, 2012

mudar e detestar

talvez eu precise de um coração. um assim rejuvenescido, quentinho - menos que o meu -, sem cicatrizes a atormentá-lo e sem pequenos grandes apertos que o sufocam lentamente, até não ter mais sangue para bombear. sim, preciso de um coração assim, oh, bem novo e uma alma fresca, acabadinha de criar. talvez essa mudança me traga uma leveza inexplicável e me faça ver o mundo com uns olhos menos sofredores que os meus. quem sabe se não muda tudo em mim com essas pequenas modificações? quem sabe se as coisas não se facilitam um pouco que seja? na verdade eu só quero uma tranquilidade que possa descrever como a melhor sensação do mundo; uma tranquilidade com sabor a chocolate. só preciso de expulsar todas as coisas más que me atormentam para conseguir seguir em frente, mas também deixar para trás as coisas boas que já vivi porque, essas, só me trarão mais dificuldades a olhar para o presente e imaginar o futuro. quero sempre tão pouco - nada mais que o essencial - e tenho mais do que peço, mas sempre num mau sentido. oh, eu detesto confusões, gritos, discussões e mal entendidos. detesto ter perdido o meu melhor amigo e sentir falta dele todos os dias da minha vida. detesto mais olhar para ele e ter uma vontade tremenda de o abraçar durante um minuto para me sentir protegida, feliz. detesto lembrar-me que só ele me compreendia em algumas coisas, e que ele estava lá para mim. mas a coisa que mais detesto é estar a escrever para o abstrato e ter a capacidade de falar nele, em qualquer que seja o contexto.

February 5, 2012

dor que não passa

sinto-me triste por não conseguir falar-te, amor, muito triste. sempre foi uma tarefa complicada, mas contornei-a o máximo que pude e hoje não devia ser mais um problema. a verdade é que a primeira vez que enfrentaste este assunto, enfrentaste-o diretamente comigo. eu sentia o mesmo que tu, da mesma forma, chorava-mos pelo mesmo. tu entendias-me perfeitamente. sabias a dor que permanecia no meu coração e que eu não conseguia esquecer. agora a dor é só tua. já sinto o medo de perder o meu avô há quatro anos, mas não sei a dor de o perder mesmo. e tu sentires não deve ser nada bom e talvez seja por isso que não te consigo ajudar, meu amor. e eu queria tanto, queria reconfortar-te, abraçar-te, dizer-te - como o tenho feito - que tudo vai passar, tudo vai melhorar. quero tanto que esta dor apazigúe. quero que tenhas noites calmas e dias menos dolorosos. quero que seja uma dor menos forte e que tu consigas ver que o teu avô agora está a brilhar por e para todos vocês. consegues, amor? olha, mesmo que me digas que eu não preciso de me preocupar, de ir aí, de falar... eu preciso, porque as melhores amigas ajudam-se, apoiam-se. deixa-me fazê-lo, sim? amo-te com todo o meu coração. e tudo vai ficar bem!

February 2, 2012

dói mas eu estou aqui

Anda amor, vamos caminhar.
O caminho, aos teus olhos, está escuro, eu bem sei, e o teu coração vazio, eu mal o oiço bater. Sei que o teu andar está cansado, triste, e a tua mente viaja longe daqui. Sei que metade nem vais ouvir, mas eu escrevo-te para ficar gravado e, quando quiseres, vires cá ler.
A dor que eu sinto desde dois mil e oito não é a mesma que tu sentes agora, eu sei disso, mas é por isso que eu quero estar ao teu lado, para te ouvir falar, para ouvir as tuas palavras roucas e cheias de tristeza por dentro. Se for para me dizeres que estás horrivelmente mal, diz-me, por favor, mas não me peças para não te perguntar como estás, se eu preciso de saber qual é a resposta... Dizer-te isto não está a fazer muito sentido, confesso, mas percebe... É uma fase complicada para ti, dura também, e eu já me sinto mal o suficiente por não poder estar aí a abraçar-te e a dizer que a dor vai passar mais tarde ou mais cedo, amor. Não poder encostar-te ao meu peito e dizer-te que estou sempre contigo. Isso dói também, mesmo que não se compare. Tu queres ser tanto a força que aí permanece, mas eu não posso deixar que anules os teus sentimentos para que alguém conforte o resto da família. Tu também estás a sofrer e tens de o mostrar, não é por isso que és menos forte.
Anda, vamos voltar para trás, está a ficar escuro.
Amo-te.

January 27, 2012

evoluir

a felicidade corria-me nas veias, como quem respira. era tão fácil ser feliz, tão fácil sorrir sem esforços. aos poucos tornou-se tudo numa confusão de momentos, em problemas existenciais e em momentos de tensão. sempre procurei contornar as dificuldades, nunca evitando-as. mas sem dar conta, a felicidade tão espontânea tornou-se num sacrifício. acordar todos os dias de sorriso no rosto, era já uma farsa à qual eu não conseguia fugir. e rir-me de qualquer coisa já era um aparte na minha vida. a concentração desapareceu e a única sensação que tinha era de estar a ser abandonada.e era verdade. cada vez mais sozinha, cada vez mais abalada. agora não quero sequer pensar no porquê de não teres sido sincero nessa altura. não duvido que o nosso cérebro pare de trabalhar sempre que pensamos que estamos a perder alguém. são momentos dolorosos em que sentimos a distância de alguém que nos era tão próximo, com o qual partilhávamos imensas coisas. onde experiências sem igual foram feitas. situações e sentimentos incomparáveis. e hoje...hoje resta-me a constante luta contra todas estas memórias que dificilmente partirão do meu cérebro e do meu coração. luta contra a dor no coração quando a sua presença se faz sentir. mas também a luta para não dialogar, sendo tempo perdido. eu sei que hoje sou eu que sofro com isto, mas quando tu te sentires sozinho e com falta da nossa amizade, eu aí estarei bem. estarei, e não sou ruim por isso.

January 19, 2012

you

desgastas-me. causas em mim um sentido de desorientação tal que, à noite, perco-me no meu sono. ganhei, diariamente, um nó na garganta causado pela tua frieza e ausência. perco as forças. penso. o meu coração pesa. mas sabes? é um coração incompleto. já to tinha dito, não já? oh... volta.

January 16, 2012

fingir?

Parece que perdi a sabedoria da escrita, não é? não sei, porque dizes isso? oh, sabes, é que depois das palavras firmes que utilizei na última mensagem que escrevi, precisei de horas para sarar o meu coração. precisavas assim tanto? sim, eu precisava de colocar o meu coração numa gaveta nova, de o limpar e de o deixar apto a que a vida lhe venha fazer uma surpresa. e eu espero ansiosamente por essa visita, por essa mudança. ele tem-me falado tanto, tem-me dito que se tem sentido sozinho. e sabes o que lhe respondi? o quê? que também eu me sinto sozinha. mas que estou com ele, por isso estamos os dois sozinhos, mas juntos. isso é estranho. eu quero um novo rumo para mim, infelizmente estive muito tempo presa a algo, estive sempre a alimentar coisas que nunca mais seriam reais. e para quê magoar de tal forma o meu coração, quando ele ainda tem tanto para viver? e sobre o teu ex melhor amigo? também consegues seguir em frente, finalmente? oh, achas que sim? sinceramente eu acho que ainda não sofri o suficiente e ainda vou ter que sentir muitos apertos no coração para o conseguir esquecer. mas olha, porque é que o chamas de "ex melhor amigo"? eu não tenho outro... e embora ele já não seja o meu, oh, é um lugar que não saberei ocupar. tu não estás bem, mas queres convencer-te do contrário. queres lutar contra algo natural, e não sabes simplesmente como dar uma reviravolta à tua vida. tens de lutar mais, tens de seguir. imagina que ele ainda te lê, ele vai saber que ainda estás assim por sua causa. vai sentir-se bem por estar feliz e te ver nesse sofrimento estúpido. deixa todas as memórias que ainda te prendem a ele, irem. mas como, se eu não consigo? não são só as memórias que me prendem a ele, é também aquele olhar que ele me lança em segredo. é toda a amargura que me preenche que ainda me liga a ele. porque a causa é ele. para quê fingir? para quê? só quero sentir-me aliviada e livre de pensamentos. só.
para mim.

January 12, 2012

indecisão

eu escrevi-te. escrevi-te do lugar onde me sentava contigo. escrevi-te abstraída do mundo e sempre com o olho para cima a ver se te via sair. escrevia-te com carinho, com saudade. sabes que são os sentimentos que mais me invadem. era uma carta enorme. mas eu escrevi. e sabes uma coisa? não sei se te devo dar, porque o mais provável é deitares fora sem ler. não sei se realmente a leres me darás alguma resposta. não sei. talvez a rasgues como eu fiz quando a escrevi. sim, eu escrevi mais de um milhar de palavras para depois, com raiva, a rasgar em dois pedaços. incrível os extremos a que chego: adorar-te e no segundo a seguir odiar-te por me teres abandonado. afinal porque é que ainda me dignei a perder trinta minutos da minha vida a escrever-te? eu devia era falar-te! agarrar no teu braço e dizer-te: precisamos de falar! sim, é isso. mas como disse na carta, talvez seja o meu maior defeito não te conseguir enfrentar. talvez porque vou começar a sentir tremores pelo corpo todo e porque não devo dizer nada do que, na realidade, pretendo.mas eu queria tanto falar-te. queria ouvir a tua voz, queria sentir o teu abraço. só isso... queria que, ao virar as costas para ir embora, tu chamasses pelo meu nome e dissesses: eu também senti e sinto saudades tuas. mas o melhor é estarmos assim. o melhor é dizermos adeus um ao outro. até nunca, como já te disse. e, embora isso me custasse a vida, eu aceitaria, porque ouvia da tua boca. porque antes dessa frase de despedida, me terias explicado tudo. será que tinhas mesmo? ou quando eu tivesse começado a falar já me estavas a virar as costas? oh... esquece.

January 7, 2012

sonhos a mais

Tinha chegado a casa com os meus pais. Observei-te ao longe, mas não quis importar-me com isso. Até que senti o teu corpo a movimentar-se para o lugar onde eu estava e vi-te com o objetivo de me falares; não entendi o porquê mas deixei-me estar. Como já tivera acontecido de outras vezes, vieste-me pedir desculpa por tudo. Para além disso, ofereceste-me um presente. No fundo do meu ser, eu estava contente por aquele momento e pela tua atitude, mas não sabia o que fazer e pensar. Guardei o teu presente como quem guarda a vida.
Vou contar-te um segredo: mesmo que tenhamos terminado a nossa amizade, eu também te comprei um presente, só para não sentir tanto a tua ausência. E é estranho eu ter tomado essa atitude se tu nunca o irias receber. A verdade é que, com tudo isto, eu fiquei confusa e não sabia que atitude tomar. Passaram-se alguns dias, até que vejo textos dirigidos a mim no teu blog e recebo várias mensagens da tua parte a solicitar-me para conversas, para que resolvêssemos tudo. Dizias que não importava se ela não iria gostar do retorno da nossa amizade, mas que sentias a minha falta. E eu também, muita. Chegou um dia em que me encontrei na mesma sala que tu e trazia comigo o teu presente. Quando te vi, chamei pelo teu nome e dei-to. Tu recebeste com um sorriso enorme na cara. Era um livro que eu sabia que gostavas e uma carta com imensas palavras só para ti. Depois de abrires cheio de curiosidade e vontade, vi-te deambular até mim, com uma convicção que eu nunca tivera visto. Deste-me um forte abraço e eu... oh, eu senti-me completa novamente. Mas sabes? Isto tudo não passou de outro sonho que ocupou mais uma das minhas noites.

January 4, 2012

e já passou um ano que estás envolvido nessa bolha que te afastou da realidade. e a verdade é que há um ano as coisas eram desiguais. estavas no início dessa relação e ainda permanecias ao meu lado, ainda eras a pessoa que eu conhecia. com o passar de dois meses mudaste completa e totalmente a tua postura, e olha, hoje é o que se vê. provavelmente repetirei algumas palavras, mas é que elas fazem tanto sentido na minha cabeça... sem ti eu perdi mesmo o rumo. é como se temesse tudo o que vem daqui para a frente. como se temesse que, a cada passada que o meu corpo dá, o chão trema e me diga: volta para trás. é estúpido eu ter tanto medo do desconhecido, é verdade. e nunca antes o saboreei. mas agora parece o meu prato do dia. parece que nada me invade mais senão o medo de andar para a frente. e olha, o meu trilho por vezes é escuro, mas eu consigo sempre atear um pequeno fósforo para que me acompanhe, sem que tenha tempo para me sentir sozinha, vazia. embora seja assim que me sinta. e olha, as palavras terminaram.

December 25, 2011

December 14, 2011

nada se perde

tenciono escrever. as palavras não estão claras para os meus olhos, e mesmo que tente, não consigo clareá-las e passá-las para aqui. muitas delas já foram utilizadas, e se há coisa que não gosto, é de gastar letras e palavras, de tanto as usar. de qualquer modo, faça os contornos que fizer, acabo sempre por dirigir estas linhas a ti. é inevitável. e por muito que me custe ainda libertar o que tenho cá dentro, sei que não há outra forma de o fazer. por momentos, a tua voz faz-me arrepiar, não sei se por saber que o que dizes não é dirigido a mim, se por ter saudades que seja dirigido a mim. de facto o meu nome do meio devia ser inconstante. noutros momentos, desejo apertar-te o braço e dizer-te: tens mesmo que fingir que não existo? tenho mesmo de fazer esse papel também? consegues? de facto, eu não consigo, e se tu consegues...és um belíssimo ator. não sei se posso dizer que te conheço, porque oh, na verdade, vim perdendo esse conhecimento com o passar dos tempos. não tenho forma de o praticar. mas tu conheces-me, e digo isto porque a minha essência não mudou, a minha transparência não desvaneceu e é por aí que tu podes sempre saber o que corre dentro de mim. já contigo eu não sei o que esperar, e dói tanto...! olha, eu canso-me de pensar todas as noites o porquê do final ter sido este. ou o porquê de virares as costas com tal brutalidade, como se falasses com uma pessoa sem valor.eu tenho-o, mesmo que não saibas dá-lo. e talvez isso comece por estas palavras que tendem em ser enviadas para ti, em silêncio, e que não servirão de mais nada senão de um desgastante desabafo que parte diretamente do meu peito. cansei-me de esperar, porque é uma espera extenuante e, por enquanto,sem solução. lembra-te é que eu não me esqueço de nada e, por momentos, isso pode jogar a meu favor. um dia dar-me-ás razão, oh se darás...

December 12, 2011

Campos #2

"É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio..."
Álvaro de Campos.

December 10, 2011

ontem, durante uma saída com um grupo de amigos, e enquanto me recostava na cadeira do café já depois de tomar o meu capuccino, dei por mim a pensar... de facto tive um momento melancólico e desejei sair dali. todos os dias me tenho deparado com a sensação de que estou bem melhor sozinha, e ontem comprovei-o uma vez mais. as minhas companhias-vivas só me fazem sentir exausta do mundo, mesmo que por vezes me saiba bem refugiar naquelas conversas e naqueles momentos. talvez não seja responsabilidade delas, mas as suas atitudes maçam-me cada vez mais e magoam-me também.não sou obrigação de ninguém, não estou presa a nada nem a ninguém, e a solidão que tanto procuro faz-me bem. contudo, continuo a ser criticada por escolher o isolamento e deixar os outros fora da minha bolha.ora, eu não vos peço para compreender, peço para respeitarem. e no meio do caos em que a minha cabeça se encontra, a certeza que tenho é que vou continuar assim, sendo ou não propositado, eu sinto-me bem sozinha com melodias calmas. e sinceramente, tenho preferido companhias que só conheço da parte do coração e da alma, porque caso essas companhias que me têm feito tão bem partilhassem o dia a dia comigo, talvez eu também estivesse cansada da sua companhia. tenho preferido a companhia virtual, porque é mais sincera, pelo menos para a minha alma. e agora, perdoem-me, mas eu quero estar sozinha, por isso, se durante o dia me virem afastar sem razão, já sabem: deixem-me ser sozinha!

December 9, 2011

viajem longa

o meu coração terá sempre um pequeno lugar para ti. mais tarde irás agarrá-lo, mesmo que agora isso seja impossível na tua mente... não fechaste o teu coração para mim, é impossível que o tenhas feito. tu fechaste a porta, mas não a trancaste. não irei forçar a entrada porque ganhei a consciência de que tu, no dia em que agarrares o teu pedaço do meu coração, vais abrir-me o teu com as tuas próprias mãos. rancor da minha parte não vai existir, mas esquecimento também não!
não me esqueço do mal que encarnaste só para me pôr fora da tua vida; e se reestabelecermos o contacto mais tarde, lembrar-te-ei do que fizeste de mal, de errado. mas sabes o que vai acontecer agora? vou seguir. Vou andar porque a minha viagem não pára e eu também não. vou deixar tudo de lado, tudo referente a ti. a minha vida não depende da tua presença, e tu, por enquanto, não pretendes voltar a fazer parte dela, e é por isso mesmo que sigo viagem. já sinto os meus pés a caminhar, embora vagarosamente. a viagem é longa, mas eu aguento.

December 7, 2011

oh, claro, a fortaleza volta a cair. afinal para que é que eu construo estes muros durante noites a fio? porque é que não consigo dormir diariamente por estes problemas rondarem a minha cabeça? e até o meu coração...eu trabalho afincadamente, tudo para o meu próprio bem-estar. no fim, todos atiram a baixo a muralha que construí. fazem-no sem delicadeza alguma, qual preocupação comigo. só gostava de encontrar a tal tranquilidade que toda a gente fala que encontra quando vai descansar..é que eu não consigo sequer combinar encontro com ela, há já muito tempo e o que isso me tem prejudicado..gelo aqui há tanto tempo, gelo sozinha, desamparada não diria, mas a minha alma está. e o meu barco treme constantemente e eu temo cair no meio do oceano. oh tranquilidade, volta. e traz também o meu sorriso, por favor.