Avô ♥

remember

February 7, 2013

vd:

000012 by Mathilda* on Flickr.
Foram imensas as vezes que fechei os olhos às situações, por achar que as melhorava ou simplesmente por achar que era a forma mais prática de esquecer que tinham acontecido. Errei quando pensei ser a solução. Quanto mais fechava os olhos, mais se aproveitavam da minha ingenuidade para agirem de acordo com os seus interesses, esquecendo-se dos meus. Quantas mais oportunidades dava, mais as desperdiçavam, e mesmo assim deixei-me ir na onda da bondade e fazer de conta que toda a gente tinha as mesmas boas intenções que eu. Hoje sinto que não podia ter sido mais burra. Acreditei em mudanças da parte dos outros quando não queria que a minha própria vida mudasse. O melhor é saber que aprendi a lição e que não volto a cair no erro. Ninguém é sempre tão bom ao ponto de dar tudo por nós. E sinto-me leve por não ser como era, já bastou as desilusões todas que apanhei por acreditar que a bondade estava acima de qualquer outra coisa no mundo. No fundo, cada vez mais, as pessoas só olham para o seu umbigo e esquecem-se de olhar para o coração das que os rodeiam.

February 6, 2013

wind of changes

Olho para trás, vasculho o que me pertence, todas as palavras que já utilizei, todos os textos que já construí e todas as memórias que tenho, e sinto-me vazia. Sinto que me deixei perder na dimensão desta tristeza que se instalou em mim, e que a pessoa que era, já não sou mais. Antigamente, por mais triste que estivesse, por mais negros que fossem os meus dias, tinha algo que me movesse, tinha esperança, vontade de melhorar e acreditava em novos começos. Apesar das tristezas, dores e desilusões, não baixava os braços e ia à luta de uma melhor vida para mim. Hoje sinto que já nada me move, sinto que perdi a esperança em tudo, que já não acredito que consiga melhorar, e isso dói muito mais do que tudo o resto que me atormenta. Porque não há dor maior do que nos perdermos a nós próprios. E se eu tenho saudades? Tenho imensas. Saudades do que já fui, do que já desejei ser e não sei se ainda vou a tempo de alcançar, saudades de me sentir bem dentro de mim, de acreditar que o dia de amanhã pode ser bom e que o sol pode brilhar. Saudades de mim, tantas. E toda esta saudade transforma-se numa bola de neve que nunca pára de rolar por entre o chão frio que me abraça nas noites melancólicas e de solidão. E se eu pudesse modificar toda a minha atual vida num estalar de dedos, acredito que já estivesse muito melhor do que me encontro. E é por me aperceber que hoje não sou ninguém, ou que pelo menos não me sinto ninguém, que receio continuar assim e nunca ter o futuro que esperei, ou simplesmente sentir-me satisfeita com as escolhas que fiz ao longo do meu percurso. E eu quero sentir-me bem, útil, viva. Quero sentir o Mundo a correr-me pelas veias e sentir-me vibrar com o dia de amanhã, com a possibilidade de sorrisos vindos de nowhere e passarinhos a aparecerem na janela do meu quarto a desejar-me os bons dias. Quero sentir a vivacidade das minhas palavras, a força nelas depositadas, a minha coragem. Quero sentir-me Eu novamente e nunca mais fugir do lugar onde pertenço, se é que realmente pertenço a algum lado. Quero perder-me unicamente nos bons momentos e deixar os maus para trás. Preciso de me reinventar, como nunca antes precisei. Prefiro perder a conta dos dias que passo a tentar fazer-me feliz, do que ouvir o tic tac pormenorizado dos dias que passo fechada no meu mundo triste e solitário. E foi preciso chegar a este ponto de já nem saber quem sou e porque é que mudei tanto, para perceber que preciso de novos começos, de novas oportunidades dadas por mim própria e de novas histórias. Não quero fins, apenas novos capítulos que possam ser escritos e reescritos todos os dias, onde sinta a leveza da minha alma, onde deixe dedadas de felicidade por cada canto que passar. E sei que sou capaz. Sei que vou conseguir.