Avô ♥

remember

February 28, 2013

Não há dia que assinale mais um mês desde a tua partida, quando falamos de fevereiro. Mas nem assim me esqueço de ti, nem me passa ao lado que mais um mês passou. Já vai no nono, e continua a custar como se fosse há uns cinco meses atrás. Acho que nunca nenhum mês me vai custar tanto quanto o primeiro custou, e talvez o segundo também. Foram os meses mais próximos de todo o acontecimento, e foram os meses que mais custaram a passar por não querer acreditar que fosse verdade. Sinto a tua falta diariamente, e à medida que o tempo passa, parece que tenho esperança que me atendas o telemóvel caso decide ligar-te. É tão tolo pensá-lo, mas faço-o inconscientemente. Amo-te muito, avô, amo mesmo, de coração e de alma. Sempre.

February 27, 2013

A minha vida já deu tantas voltas, e hoje em dia já não reconheço o que sou e poucas das pessoas que se mantêm comigo. Sempre fui aquela pessoa que achava que tinha milhares de amigos e que ninguém me desiludia, toda a gente estava lá para mim quando precisava e até quando não precisava. Aquela pessoa que era tão, mas tão feliz, que se existissem problemas, só poderiam ser problemas com a família. Era apenas o meu ser ingénuo e inocente a trabalhar no máximo. Sempre fui assim, de achar que todos ficavam, que tudo era belo, mas quando comecei a levar pontapés de quem menos esperava, nem quis acreditar, até que hoje já pouco me surpreendo quando alguém decide ir embora, quando alguém me desilude, quando alguém me quebra o coração. A verdade é que vai sempre doer. Nunca é fácil dizer adeus depois de tanto utilizarmos o olá. E muito menos é fácil fazer a mesma vida que se fazia antes de conhecermos algumas pessoas. Elas chegam, marcam, vão embora e nós ficamos sem esse pedacinho que lhes pertencia. Às vezes o pedaço é grande, quando a pessoa em questão conquista mais território do que o esperado, mas a verdade é que somos nós que permitimos a entrada das pessoas, e muitas vezes permitimos que estas nos magoem. Se eu soubesse, há uns bons anos atrás, o que sei hoje, acho que nunca teria confiado a mil por cento nas pessoas que confiei e que deixei entrar na minha vida. Hoje em dia quem está comigo não é bem aquela ideia que eu tinha há uns tempos. Havia pessoas que eu julguei que nunca sairiam do meu lado, e hoje já não me falam, e outras que nunca pensei que ficassem, e ainda permanecem. Estas sim, são as pessoas que me merecem e que eu mereço ter. Mas a verdade é que dói olhar para trás e ver tudo diferente do que idealizei. Ver pessoas afastadas, ver memórias desfeitas, conversas inacabadas, assuntos por resolver e uma mistura de tristeza com imensa saudade. Sempre pensei que era uma boa pessoa para quem estava na minha vida, sempre pensei que toda a gente me adorava porque era eu própria, sem invenções. Mas hoje, depois de tantos adeus, depois de tantas vírgulas em imensas amizades, e depois de tantas lágrimas deitadas por saudades intermináveis em noites geladas e escuras, questiono-me se fui realmente boa para essas pessoas, ou se fui boa demais, sem merecerem tanto empenho da minha parte. Se queria que tudo fosse diferente? É claro que queria, e se me perguntarem se queria todas as pessoas que já perdi, de volta, eu dizia que sim, sem hesitar. Provavelmente coloquei novamente o meu ser ingénuo e inocente a trabalhar no máximo, mas é isto que sou. Sou de dar imensas segundas oportunidades. Sou de acreditar que as pessoas têm de se valorizar mutuamente, senão nada disto faz sentido. E eu quero ser feliz. Quero ser feliz com quem tenho do meu lado e, se puder recuperar pessoas que já fizeram parte do meu dia a dia, e se ainda puder recuperar-me a mim mesma, acreditem, aí eu seria a pessoa mais feliz do mundo. A pessoa tão, mas tão feliz, que se existissem problemas, só poderiam ser problemas com a família.