Mais uma nova etapa se inicia na minha vida, agora com mais responsabilidade mas, sobretudo, com uma sensação de que estou no patamar certo e que ninguém me atira abaixo tão facilmente. Espero ser feliz.
March 15, 2013
March 5, 2013
Lembro-me daquela quarta feira como se fosse hoje. E dói lembrar-me dos pormenores porque a falta que me fazes é enorme.
Naquele dia saí mais cedo das aulas e encontrava-me num mini jardim com uma colega, enquanto esperava que os pais me fossem buscar. Disseram que íamos almoçar fora. Mentiram. Enquanto não chegavam, eu e a Sara colocá-mo-nos a perseguir uma borboleta que andava a passear perto de nós. Parecia tão livre, tão dona de si. Falámos que gostávamos de ser como ela, que poderia andar por onde quisesse, quando quisesse, e que queríamos ser tão belas quanto ela. Os minutos passavam, o relógio não parava e eu continuava a apreciar aquele momento com uma inocência singular. Até que, tentando brincar um pouco, eu e a Sara queríamos tentar apanhá-la, talvez para a acarinhar, não sei bem, mas corríamos atrás dela como se fosse possível poisá-la nos nossos dedos delicados. Entretanto os pais chegaram e apressei-me a perguntar se podiam levar a Sara até à paragem habitual, mas eles disseram logo que não podia ser, que só podíamos deixá-la um pouco mais à frente porque não íamos na direção da paragem. Compreendemos e começámos a falar do episódio da borboleta, mas ninguém respondia, ninguém sorria nem olhavam para nós pelo espelho. Percebi que se passava alguma coisa. A Sara também. O silêncio constrangedor instalou-se até que a Sara vai embora. Pergunto duas vezes o que se passa e não obtenho resposta. Até que vejo o meu irmão a começar a chorar, e comecei a reparar nos pormenores. A mãe estava com os óculos escuros postos, como que a esconder o olhar, o pai estava com uma expressão triste e um pouco desesperada e todos continham peças escuras. É então que vejo que o carro não seguia a trajetória esperada, e pergunto onde vamos. Só o pai respondeu "vamos para Lisboa" "porquê?", perguntei eu. "O avô...." e sem que o meu pai terminasse a frase, a minha mãe começa a chorar compulsivamente, o meu irmão esconde o olhar e eu percebi logo o que acontecera. Foi o choque. Não consegui dizer nada. E aquele silêncio outrora constrangedor, transformou-se num silêncio de tristeza, dor, mas sobretudo de revolta. Não podia ser verdade, entendes avô? Não podia ser verdade que o teu coração tinha parado. Não podia! O resto do caminho até Lisboa foi de morte, e quando os pais e o Alex saíram para irem a uma daquelas lojas onde se trata dos velórios ou dos funerais, não sei, e eu me encontrei sozinha no carro, é que soltei as primeiras lágrimas. O meu corpo tremia, e o coração acelerava o seu batimento. Não queria acreditar. Quando todos voltaram, fingi que não tinha sequer soltado aquelas lágrimas e seguimos caminho para a igreja. Aí o meu coração partiu-se em mil pedaços e a minha alma caiu no chão. Ver-te imóvel custou tanto. Passei o resto do dia a olhar para o teu peito na esperança de ver o teu coração a bater novamente, e para os teus olhos para que estes se abrissem para a vida. Foi tudo em vão, toda a força que as minhas mãos faziam ao se apertarem, pedindo que voltasses... foi tudo em vão porque não voltaste. Porque o teu coração parou para sempre e os teus olhos jamais se abrirão novamente. E eu, ao contrário de ti, ainda vivo e tenho de lidar com a tua ausência todos os dias. Mas sabes o que me conforta? Sei que estás comigo, sempre no meu coração, e que quando não tenho força para mais, é a ti que vou buscar. És o meu exemplo. És tudo. Amo-te.
Naquele dia saí mais cedo das aulas e encontrava-me num mini jardim com uma colega, enquanto esperava que os pais me fossem buscar. Disseram que íamos almoçar fora. Mentiram. Enquanto não chegavam, eu e a Sara colocá-mo-nos a perseguir uma borboleta que andava a passear perto de nós. Parecia tão livre, tão dona de si. Falámos que gostávamos de ser como ela, que poderia andar por onde quisesse, quando quisesse, e que queríamos ser tão belas quanto ela. Os minutos passavam, o relógio não parava e eu continuava a apreciar aquele momento com uma inocência singular. Até que, tentando brincar um pouco, eu e a Sara queríamos tentar apanhá-la, talvez para a acarinhar, não sei bem, mas corríamos atrás dela como se fosse possível poisá-la nos nossos dedos delicados. Entretanto os pais chegaram e apressei-me a perguntar se podiam levar a Sara até à paragem habitual, mas eles disseram logo que não podia ser, que só podíamos deixá-la um pouco mais à frente porque não íamos na direção da paragem. Compreendemos e começámos a falar do episódio da borboleta, mas ninguém respondia, ninguém sorria nem olhavam para nós pelo espelho. Percebi que se passava alguma coisa. A Sara também. O silêncio constrangedor instalou-se até que a Sara vai embora. Pergunto duas vezes o que se passa e não obtenho resposta. Até que vejo o meu irmão a começar a chorar, e comecei a reparar nos pormenores. A mãe estava com os óculos escuros postos, como que a esconder o olhar, o pai estava com uma expressão triste e um pouco desesperada e todos continham peças escuras. É então que vejo que o carro não seguia a trajetória esperada, e pergunto onde vamos. Só o pai respondeu "vamos para Lisboa" "porquê?", perguntei eu. "O avô...." e sem que o meu pai terminasse a frase, a minha mãe começa a chorar compulsivamente, o meu irmão esconde o olhar e eu percebi logo o que acontecera. Foi o choque. Não consegui dizer nada. E aquele silêncio outrora constrangedor, transformou-se num silêncio de tristeza, dor, mas sobretudo de revolta. Não podia ser verdade, entendes avô? Não podia ser verdade que o teu coração tinha parado. Não podia! O resto do caminho até Lisboa foi de morte, e quando os pais e o Alex saíram para irem a uma daquelas lojas onde se trata dos velórios ou dos funerais, não sei, e eu me encontrei sozinha no carro, é que soltei as primeiras lágrimas. O meu corpo tremia, e o coração acelerava o seu batimento. Não queria acreditar. Quando todos voltaram, fingi que não tinha sequer soltado aquelas lágrimas e seguimos caminho para a igreja. Aí o meu coração partiu-se em mil pedaços e a minha alma caiu no chão. Ver-te imóvel custou tanto. Passei o resto do dia a olhar para o teu peito na esperança de ver o teu coração a bater novamente, e para os teus olhos para que estes se abrissem para a vida. Foi tudo em vão, toda a força que as minhas mãos faziam ao se apertarem, pedindo que voltasses... foi tudo em vão porque não voltaste. Porque o teu coração parou para sempre e os teus olhos jamais se abrirão novamente. E eu, ao contrário de ti, ainda vivo e tenho de lidar com a tua ausência todos os dias. Mas sabes o que me conforta? Sei que estás comigo, sempre no meu coração, e que quando não tenho força para mais, é a ti que vou buscar. És o meu exemplo. És tudo. Amo-te.
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