Avô ♥

remember

April 30, 2013

para ser sincera, não sei se serei capaz de dizer alguma coisa de jeito. Sinto a escrita a perder-se cada vez mais e eu não consigo segurá-la. queria, mas não consigo. só que hoje tenho de fazer um esforço. faz hoje precisamente 11 meses desde que partiste. 11 consegue ser um número tão grande se pensar em ti. 11 significa que o 12 está perto. significa que já quase um ano passou e que a dor volta à carga como se tivesse sabido a notícia hoje. às vezes pergunto-me onde arranjo força para ultrapassar isto, mas a verdade é que não ultrapasso. a dor está aqui tão presente, tão viva dentro de mim, e por mais que tente apagá-la, não consigo. como se isso significasse que estaria a tentar tirar-te de mim. e se eu quero que fiques para sempre, tenho de me sujeitar à dor que isso pode causar. à dor da tua ausência, que me põe tantas vezes com os olhos encharcados como que pedindo para voltares. porque se me dissessem para pedir algo que até agora era impossível, convertendo para possível, eu só pedia que voltasses. só isso. o resto do mundo podia ruir, desde que te tivesse comigo. hoje lembrei-me muitas vezes de ti. e como deves calcular estou a escrever-te isto com as lágrimas nos olhos, porque pensar em tudo isto dói, e mesmo que não me queira lembrar, acabo por o fazer automática e inconscientemente.
tenho imensas folhas em branco a seguir a esta, e podia gastá-las todas só a escrever para ti, mas de que me serviria? se cada palavra que utilizo te fizesse ter mais um minuto de vida, acredito que já tivesses voltado há muito tempo. no meio de tudo isto, custa ver uma fotografia tua. custa passar dias e dias com a ideia na cabeça de te ligar para saber como estás. se o coração está fraco ou se já baixaram o nível de morfina porque já não tens dores. queria voltar atrás no tempo e receber uma chamada a dizer que ias voltar para casa e não que morreste. quero voltar a ouvir a tua voz, a ver o teu sorriso, a ouvir a tua gargalhada. quero voltar a ver-te no topo da mesa da tua casa porque é lá que pertences. quero voltar a abraçar-te com toda a força do mundo e dizer-te com o olhar que és o melhor avô do mundo. porque és, porque sempre foste. se ao menos Deus fosse justo, ainda hoje estarias aqui comigo e, possivelmente, algo agora me iria fazer lembrar de ti e iria ligar-te só para ouvir a tua voz e saber se estavas bem.
volta, volta, volta. Amo-te tanto! estejas onde estiveres, por favor, nunca duvides disso. daria tudo por ti. Tudo. nunca desapareças, por favor. não há nada que mais tema do que me esquecer da tua voz e que a tua imagem se desvaneça da minha mente.

April 27, 2013

Acabar mais um capítulo porque parece que já não existem mais folhas para preencher aquilo que outrora fomos. Já não há mais nada que possa ser escrito senão a conclusão de que me enganei quando pensei que fôssemos fortes o suficiente para aguentar e ultrapassar tudo. Fica a dor dentro de mim, a dor de ter de escrever mais um adeus, de finalizar mais uma página com um final triste, a dor de ter de juntar mais um cromo à caderneta de tristezas. Fica a mágoa de não teres tentado, de teres desistido assim que o sol se pôs. Fica a revolta por teres sido cruel o suficiente para me deixares com marcas dos tons utilizados. Não soubeste adequar a tua voz aos nossos problemas. Não quiseste moldar-te a nós e hoje não resta nada. Porque assim demonstraste não querer. E depois de tanta luta da minha parte, depois de tanto desgaste emocional, parto com a sensação de que ficou imenso por dizer e fazer porque ainda estávamos muito pequeninas. A nossa amizade ainda era uma flor em crescimento, que precisava de cuidado diário e tu quiseste deixar de cuidar dela juntamente comigo. Deixaste de te preocupar em trazeres pequenos potes de água para a alimentar, deixaste de te sentar comigo à janela e de a observarmos com carinho. Tanto carinho quanto aquele que guardávamos no peito, aquele que sentíamos uma pela outra. Ficam imensas lágrimas caídas por aí. Ficas tu, longe. Fico eu, ainda mais longe. E o fim do capítulo aproxima-se. Aquele que pensei que nunca iria fechar. Afinal sempre fecha, sempre acaba. E entretanto a nossa flor morre, e eu deixo-me ficar pelo chão, tal como ela, à espera de forças para reerguer o meu ser e, sozinha, cuidar dela. Algum dia conseguirei fazê-lo. E tu.... tu não sei o que farás, mas só te cabe a ti, pois caso quisessesses que eu soubesse o que farás com a tua vida, tinhas simplesmente ficado... Sê feliz, espero mesmo que o sejas. Espero que corra tudo conforme está nos teus planos. I'll see you around. Who knows.